Pippi Meialonga

Eu já li e reli várias vezes os livros da Pippi Meialonga e, todas as vezes que volto para essas histórias, agradeço por isso.
É uma leitura leve, divertida e muito gostosa. Daquelas que dão vontade de ler junto com as crianças, de rir das situações absurdas e depois continuar falando sobre elas mesmo depois de fechar o livro.
Porque Pippi é muito engraçada. Muitas vezes nos pegamos repetindo ou lembrando de trechos dos livros, rindo de alguma coisa que ela fez ou disse.
Mas, curiosamente, não é só isso.
Em alguns momentos, senti um nó na garganta. O coração apertar.
Porque por trás daquela menina forte, livre, engraçada e completamente impossível de enquadrar existe também uma criança. Uma criança que perdeu a mãe, que sente falta do pai, que aprendeu a cuidar de si mesma e que, apesar de toda a sua independência, também precisa de amizade e carinho.
E talvez seja justamente essa mistura que torne a Pippi tão especial.
Ela é forte, mas não é dura. É livre, mas não é sozinha. É corajosa, mas também é vulnerável. É engraçada e também emociona.
E tem ainda uma coisa que fui percebendo cada vez mais nas releituras: Pippi é uma espécie de super-heroína.
Seu primeiro superpoder é óbvio: ela tem uma força extraordinária.
Mas acho que o verdadeiro superpoder de Pippi é a liberdade.
Ela não aceita uma regra simplesmente porque um adulto disse que é assim. Não tem medo de fazer diferente, de parecer estranha ou de questionar aquilo que todo mundo considera normal.
Ela é autêntica. Sabe o que quer e, principalmente, sabe o que não quer.
E talvez seja por isso que ela seja uma personagem tão especial para as crianças — mas também, e talvez principalmente, para os adultos.
E aí tem Astrid Lindgren, a autora, que é sueca.
Pippi nasceu em 1941, quando Karin, filha de Astrid, estava doente e pediu à mãe que lhe contasse uma história sobre uma menina chamada Pippi. Astrid inventou aquela menina extraordinária e, durante alguns anos, continuou criando novas histórias para a filha e seus amigos. Em 1944, colocou as histórias no papel e deu o manuscrito a Karin como presente de aniversário. Em 1945, o primeiro livro de Pippi foi publicado.
Gosto muito de pensar nisso: uma das personagens infantis mais livres, irreverentes e poderosas da literatura nasceu simplesmente de uma mãe contando uma história para a filha.
E talvez seja justamente por isso que Pippi continue tão viva, tantas gerações depois.
Ela nos faz rir. Nos faz imaginar. Nos faz questionar. Às vezes, nos emociona.
E, de algum jeito, nos lembra que crescer não deveria significar perder completamente a capacidade de brincar, de imaginar, de ser quem você é e de olhar para o mundo e perguntar: “Mas quem disse que tem que ser assim?”
Fiz um resumo do que aprendi com essa leitura. Espero que ele te inspire — e, quem sabe, faça você querer conhecer ou revisitar esses livros que são, ao mesmo tempo, divertidos, emocionantes e muito mais profundos do que parecem.
Beijos Mel


Comentários